Reprodução em cativeiro contribui para conservação de espécies ameaçadas de extinção

O amor é necessário para que todos, inclusive os animais, possam se sentir bem. No Dia dos Namorados,  comemorado no Brasil nesta sexta (12), vale saber que os “moradores” do Zoológico de Brasília contam com uma equipe especializada em encaminhar representantes de algumas espécies a uma harmoniosa vida a dois. E esse não é um trabalho fácil, pois exige muito estudo sobre o comportamento dos animais e cooperação entre várias instituições, dentro e fora do país, para formar o “par perfeito” da vida silvestre. Durante a pandemia, quando o zoo se encontra fechado, os casais segue se entendendo.

Atualmente, o zoo conta com cerca de 40 casais, dentre aves e mamíferos, que fazem parte de programas de conservação. Um desses pares é o formado por Tucupi e Amarantos, primatas criticamente ameaçados de extinção da espécie sauim-de-coleira. Tucupi, o macho, já vivia no Zoológico de Brasília, enquanto a fêmea, Amarantos chegou de um resgate em Manaus (AM), feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O arranjo ocorreu em 2018, com a recomendação de pareamento entre Tucupi e Amarantos, que deu à luz no início deste ano.

Incentivo à aproximação

Para que uma reprodução dê certo entre os casais indicados ao cruzamento, além de fazer a aproximação e o pareamento, a equipe técnica precisa montar o cenário que estimule os participantes. “Para incentivar a reprodução, a gente deixa o recinto o mais confortável e aconchegante possível, com um clima agradável”, conta a superintendente de conservação e pesquisa do Zoo, Luísa Helena Rocha. “Assim, os animais se sentem à vontade e ambientados. A gente também oferece acompanhamento médico-veterinário e nutricional”.

Além da reprodução natural, o Zoo de Brasília atua em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nos bancos de germoplasma, que fazem o armazenamento de informações genéticas a partir da identificação, da caracterização e da preservação de células germinativas de alguns seres vivos. “O banco de germoplasma e o manejo para reprodução dos animais vivos colaboram na manutenção de um banco genético que poderá ser utilizado para reintroduzir espécies na natureza”, explica Luísa.

Tucupi e Amarantos fazem parte de um universo de mais de 40 felizes casais formados por elementos das espécies bugio-de-mãos-ruivas, bugio-vermelho-do-rio-Purus, lobo-guará, macaco-aranha-de-cara-vermelha, gato-do-mato-pequeno, onça-pintada, ganso-do-havaí, emu, guará, urubu-rei, harpia, gavião-carrapateiro, jacutinga, mutum-de-penacho, mutum-cavalo, sabiá-poca, bicudo, canário-da-terra, papagaio-verdadeiro, papagaio-do-mangue, papagaio-da-cara-roxo, papagaio-moleiro, papa-cacau, papagaio-campeiro, papagaio-chauá, papagaio-do-peito roxo, arara-azul-grande, ararinha-de-testa-vermelha, arara-vermelha, arara-piranga, ararajuba, tiriba-de-pfrimer e tiriba-de-barriga-vermelha.

Pareamento

As recomendações de pareamento são feitas anualmente por especialistas, chamados studbook keepers. Esses profissionais que organizam a população de espécies ameaçadas no Brasil e no mundo e, de acordo com dados genéticos importantes, indicam qual indivíduo pode reproduzir e com quem. Isso acontece para garantir que a população mantida sob cuidados humanos seja geneticamente saudável e que contribua, no futuro, para o reforço das populações em vida livre.

Acordo de cooperação

Em 2018, a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, o Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade e o Ministério do Meio Ambiente assinaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para atuar na elaboração, implementação, manutenção e coordenação dos programas de manejo em cativeiro de espécies ameaçadas em zoológicos e aquários brasileiros.

O acordo aborda 25 espécies prioritárias, entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes, para a execução do acordo. O trabalho de conservação dessas espécies é importante para proteger também seus habitats e espécies relacionadas, pois muitas delas provocam o “efeito guarda-chuva”: sua conservação, por consequência, promove a conservação de vários outros animais que participam do ecossistema, sendo um enorme passo para a conservação da fauna brasileira.

Com informações do Jardim Zoológico de Brasília