Funcionários terceirizados que moram no Entorno e trabalham no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1) foram demitidos por causa do aumento da passagem de ônibus nos municípios goianos. Nesta semana, pelo menos quatro auxiliares de serviços gerais receberam uma carta da Real JG Serviços Gerais que avisa sobre o desligamento. A informação foi confirmada pelo gerente-geral da empresa, Bolivar da Silva Brito. Ele admitiu que os empregados serão substituídos por quem reside no DF. A firma estima custo adicional superior a R$ 30 mil com o gasto das tarifas de ônibus que operam nas cidades vizinhas à capital federal.

Esses trabalhadores cumprem aviso-prévio. Entre eles, há uma auxiliar que trabalha no TRF 1 há sete anos. Segundo a moradora da Cidade Ocidental, a Real JG justificou que a demissão dos empregados geraria uma redução de 40% nas despesas com transporte. “Tem gente que trabalha aqui há mais de oito anos e, quando essa empresa chegou, há três anos, eles sabiam que muitos eram de Goiás”, reclamou. Para ela, a situação é discriminatória. “Fomos pegos de surpresa, e isso implica muito a vida da gente. Ou abrimos mão das passagens para continuarmos trabalhando, ou não sabemos mesmo o que fazer. Temos família, filhos e gastos. Isso é uma discriminação com o povo de Goiás.”

Outra terceirizada do mesmo setor é vinculada à companhia diferente da amiga, mas está com medo de perder o emprego. Moradora de Santo Antônio do Descoberto, ela percebe que firmas do DF têm substituído quem mora em Goiás. “Elas estão alegando que não têm como pagar o aumento de 11% das passagens (leia Entenda o caso). A gente fica em uma saia justa, pois não dão oportunidade para os funcionários entrarem em acordo, como, por exemplo, abrir mão da passagem. Essa situação representa desemprego, e as pessoas têm família. Por mais que seja pouco, o dinheiro faz muita falta”, reforçou.

A passagem de Águas Lindas para Brasília passou de R$ 5,45 para R$ 6,10. No Novo Gama, saltou de R$ 4,95 para R$ 5,60. Em Valparaíso, saiu de R$ 3,80 para R$ 4,25. Em Santo Antônio do Descoberto, a tarifa de R$ 5,10 chegou a R$ 5,70. E de Luziânia para a capital, a passagem de R$ 5,20 custa R$ 5,85. Bolivar, gerente-geral da Real JG, explicou que emprega no TRF 1 pelo menos 20 terceirizados. Do total, quatro receberam aviso-prévio. Segundo ele, eventualmente, outros também podem sair. “Vamos fazer a supressão de alguns trabalhadores, porque, com o aumento da passagem, o valor se torna oneroso. Se o órgão repassa R$ 4 de passagem, por exemplo, a gente desembolsa R$ 5,50 ou R$ 6 para um funcionário. Infelizmente, estamos tendo de substituir as pessoas por quem mora no Distrito Federal”, confirmou.

Vale-transporte
Assessor jurídico do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Trabalho Temporário, Prestação de Serviços e Serviços Terceirizáveis (Sindiserviços-DF), Jomar Moreno, revelou que, na quarta-feira, representantes da entidade tiveram uma reunião na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Luziânia a fim de firmar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para que as empresas de ônibus do Entorno aceitem o vale-transporte do DF. “O procurador ficou de enviar um ofício à ANTT. Caso não seja possível, as companhias propiciarão as demissões por parte dos empresários, que têm o intuito de economizar. Infelizmente, nenhum trabalhador tem estabilidade”, lamentou Jomar.

Matéria de Isa Stacciarini (Correio Braziliense)