No início desta semana, um templo da Comunidade Espírita Afro-brasileira Ilê Axé de Imejanja Ogum Té, foi depredado em Valparaíso de Goiás. De acordo com o jornal Correio Braziliense, um recado foi deixado nos portões com as seguintes palavras: “Favor procurar o Pró-lote”.

Na ocasião, paredes do templo foram derrubadas, imagens quebradas e nem a flora do terreno foi perdoada.

Segundo Ialorixá, Noêmi Ferreira, 65 anos, responsável pela Comunidade Espírita, alguns móveis puderam ser retirados do local antes que ocorresse a demolição que é apontada pela mesma como clandestina. A senhora morava em um dos cômodos destruídos.

Após a barbárie, Noêmi foi orientada pela Fundação Cultural dos Palmares, a procurar o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), localizado no bairro Céu Azul, para registrar queixa sobre o ocorrido.

O Correio Braziliense informou que o Ministério Público de Goiás (MP-GO) também foi acionado. Noêmi Ferreira contou que estava viajando e, ao chegar, encontrou o lugar arrombado e destruído. “Quebraram minha casa, os quartos de santo, imagens, botaram tudo no chão. O que não destruíram, deixaram tumultuado”, relatou.

Inconformada, a senhora quer apenas que a justiça encontre e que puna os responsáveis pelo vergonho ato. “Não posso dizer quem fez isso. Eu não vi. Mas não tínhamos inimizade com ninguém. A Justiça tem que ser feita. Aqui, além de minha casa, é um templo de religião afrodescendente onde se pratica o candomblé. Ninguém tem o direito de dizer que nossas crenças não servem. Como a lei poderia não punir as pessoas que invadem e quebram a casa de alguém?”, desabafou.

Ana Paula Ferreira, filha da Ialorixá, conta que esteve no local no fim de semana, e estava tudo bem. “Vim no sábado e no domingo para limpara a casa. Estava tudo bem. Quando minha mãe chegou na terça a noite, encontrou tudo quebrado. Não sei como fizeram isso, mas metade do barracão está no chão. Isso nunca tinha acontecido antes. Nem pensamos ainda em como vamos fazer para nos reerguer. Estamos organizando essa bagunça primeiro”, afirmou.

A coordenadora do Núcleo de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares, Adna Santos de Araújo, também conhecida como Mãe Baiana, contou que a instituição está acompanhando a situação e que uma advogada da organização acionou o MPGO, a Procuradoria Geral da República e até o Ministério da Justiça. “Eles nos ligaram pedindo socorro. Não sabiam o que fazer. A impressão que dá é que entraram no local com um trator. Como é que destroem uma casa inteira e ninguém vê? Acabaram com tudo? É uma situação muito triste e estranha. E ainda deixaram um bilhete”, contou.

Postado por Marcelo Carlos (com as informações do Correio Braziliense)