Após vencer uma eleição de forma surpreendente em 2016, o prefeito de Valparaíso de Goiás, Pábio Mossoró (PSDB), tem enfrentado uma situação complicada na terceira maior cidade do Entorno de Brasília (DF).

Sem uma transição completa, a gestão passada — comandada pela ex-prefeita petista Lucimar Nascimento — deixou dívidas de todas as sortes e, pior ainda, inchou a folha de pagamento com um concurso para mais de 1,8 mil servidores sem qualquer planejamento.

O tucano, que é aliado da deputada estadual e ex-prefeita Lêda Borges (PSDB), disse, em entrevista na sede do Jornal Opção, que enfrenta um estado de “calamidade”.

Desde que assumiu, promoveu mutirões para limpar a cidade, comprou e colocou medicamentos nos postos de saúde, e tem buscado no governo estadual auxílio para superar a situação e desenvolver a cidade.

Como o sr. recebeu a prefeitura de Valparaíso?

Recebemos em estado de calamidade, a situação é crítica. Na verdade, não houve transição séria. Assumimos no dia 1º sem informações, sem balanço. Estamos aguardando os dados, que deveriam ter sido entregues até o dia 15 para poder fazer um balanço. Do pouco que conseguimos identificar, ficou muito a pagar. Nosso jurídico e nossa contabilidade estão fazendo um levantamento para podermos tornar público o que encontramos.

Sabemos que alguns serviços não foram pagos, como coleta de lixo, que tem dois meses em aberto (novembro e dezembro), alguns fornecedores também já nos procuraram. Até conta de energia e telefone atrasados… Mas não temos o apanhado total do rombo, porque a equipe de transição ainda não conseguiu entregar o balanço de dezembro.

Como o sr. avalia a ex-prefeita Lucimar Nascimento (PT)?

Bom, a gestão foi tumultuada, não houve planejamento, em especial na questão financeira. Faltou responsabilidade. Com isso a cidade sofreu muito, temos, por exemplo, um concurso que ela fez sem um estudo de viabilidade financeira e acabou prejudicando os aprovados. Um concurso para 1,8 mil vagas sem estudo, o que sobrecarregou a folha. Inclusive, o Ministério Público de Goiás questiona na Justiça o processo.

O que o sr. tem feito para reverter o quadro?

Estamos tentando conter as despesas, revendo os imóveis alugados, cortamos todas as gratificações dos comissionados, estamos reajustando a hora extra dos servidores — tínhamos alguns que trabalhavam 6 horas corridas e tinham 100% de hora extra. E austeridade, fazendo que a máquina possa continuar funcionando. Mas o grande desafio é com pessoal, temos que dar posse aos aprovados e conseguir pagar a folha.

Para se ter uma ideia, já em janeiro, eu terei uma folha com mais 403 novos servidores que tomaram posse no dia 29 de dezembro. E são salários elevados, em cargos como fisioterapeuta, dentista e professor. Na Educação, nosso Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] está comprometido, quase que em sua totalidade, com o pagamento de salários. A regulamentação determina que seja 60% com pessoal e 40% para manutenção. Estamos gastando quase tudo com folha.

Identificamos também que há várias obras paralisadas, algumas que só foi feita a terraplanagem outras que começaram a alvenaria, de qualquer forma determinei às Secretarias de Administração e de Obras que fizessem o levantamento de todas para planejar como iremos concluí-las.

Na Saúde, tomamos medidas emergenciais, como colocar medicamentos em todas as unidades de saúde. A Central de Medicação estava praticamente vazia. Iniciamos um grande mutirão de limpeza, que beneficiará todos os bairros de Valparaíso. Compramos aproximadamente 3 mil lâmpadas para resolver o problema da iluminação em várias avenidas, que ajudam a dar mais segurança. Contratamos médicos especialistas… Estamos tomando as medidas para colocar todas as unidades de saúde funcionando. Hoje, o serviço é precário, por isso decidimos reestruturar o serviço.

Qual a importância de ser da base do governo?

Esta é a primeira vez que a cidade tem a possibilidade de ter um prefeito e uma deputada estadual. Isso é um fato importante. Lêda [Borges] tem aberto as portas do governo do estado para nós, prova disso é que nossa região será contemplada com um hospital de urgência e fará parte do programa Jovem Cidadão — serão mais 100 vagas. Hoje mesmo estivemos com o Secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária [Coronel Edson Costa], que nos garantiu uma unidade do Corpo de Bombeiros — imagina uma cidade com quase 200 mil habitantes como a nossa ainda não ter uma. A parceria com a deputada fortalecerá essa relação com o governo. Além disso, o governador Marconi Perillo também se comprometeu a destinar recursos para fazer o recapeamento de ruas da cidade e também asfalto novo nas que não têm. Vamos inaugurar ainda um Instituto Tecnológico de Goiás, 80% das obras já estão concluídas e entregaremos ainda neste ano. Serão mais três escolas estaduais, enfim, são muitas as parcerias.

O transporte no Entorno de Brasília é um problema antigo. Como resolvê-lo?

O transporte sempre foi uma questão muito debatida e pouco se avançou. Nós queremos dividir a responsabilidade, chamar a ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] e os municípios que integram a Região Metropolitana de Brasília. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), já se reuniu com o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg (PSB), para que juntos, estado, Distrito Federal, municípios e União possamos solucionar a questão do transporte semiurbano.

Mas há algo concreto?

Não há nada concreto. O BRT está parado, o governador cobra e quer estender o BRT de Santa Maria (em Brasília) até Luziânia, espero que seja possível. Da nossa parte, já nos reunimos com os diretores da UTB (União Transporte Brasília), que explora o transporte coletivo da cidade de Valparaíso, para buscar solução no que diz respeito ao acesso dos bairros mais distantes ao serviço. Uma de nossas bandeiras é regularizar e expandir o transporte alternativo. É um compromisso nosso.

A segurança também preocupa o sr.?

Estivemos reunidos com a deputada estadual Lêda Borges e com o comandante Coronel Edson para que possamos melhorar a condição da segurança pública na cidade. A prefeitura vai garantir o banco de horas para que os policiais, em seus horários de folga, possam trabalhar; além disso, assinamos um convênio para que servidores da prefeitura assumam a parte administrativa das unidades, garantindo que o efetivo esteja nas ruas. Vamos estender o banco de horas para a Polícia Civil também. Estamos trabalhando.

Via Jornal Opção