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Olhando pro céu com muita fé e muita luta

A batalha de rima intitulada de Trash Park acontece toda quarta-feira a partir das 19h horas no Riacho Fundo para trazer cultura e arte para o povo

Matheus Vale de 22 anos, que trabalha como agente de portaria e produtor musical é também idealizador do projeto das batalhas de rimas do Riacho Fundo chamada de “Trash Park”. “Surgiu de uma onda aonde o rap se estava fazendo presente nessa geração, eu acredito. O pessoal assistia as batalhas dos outros estados e isso veio como uma peste por todo o país, até chegar na rapaziada da minha quebrada, aonde com uma caixinha de som e as vezes até na voz a gente rimava ao lado da Administração do Riacho 1, até que um dia fomos expulsos de lá. E hoje fazemos o movimento no Skatepark do Riacho mesmo, onde apelidamos carinhosamente de “Trash Park”.

 Para participar é simples, acontece todas as quartas às 19h, basta chegar antes das 19h30 e colocar seu nome na lista, esperar o sorteio e seguir as regras, é importante chegar cedo para não ficar vaga.  O movimento tem o objetivo de levar cultura e informação para as massas, e nunca deixar que essa arte morra, pois, um povo sem cultura é um povo morto, sem identidade, desalmado afirma Matheus. 

O movimento se mantém vivo graças ao trabalho coletivo e muita disposição dos organizadores e participantes. 

Matheus ainda pede por respeito para com os MCs e o projeto “Nós queremos respeito, pois lugar de batalha não é um encontro de “noiados” como a grande maioria vê. Lá não é point de tráfico de drogas e muito menos uma bagunça. Batalha é lugar de argumentos, arte, valores, respeito e diversão. Aonde os pensadores escondidos dentre as massas realizam seus debates em forma de música. Onde o preconceituoso julga, mas não aguenta o argumento de um MC de responsa”. 

Matheus Vale tem seu próprio estúdio de estúdio de produção fonográfica (Candan Studio) e está trabalhando num projeto de uma joalheria (Premier’or). Com 18 anos, em uma tarde na casa dos meus tios em MG, seu primo o apresentou uma DAW (Digital Audio Workstation), -um programa de produção – e então sabia que gostaria de trabalhar com a música a produzir sons e disseminar pelo mundo. “Quando viu aquela parada foi amor à primeira vista, porque sempre fui fã ao extremo de músicas, de todo o tipo e estilos. Daquele dia em diante sinto no meu coração que esse é meu caminho e propósito”. 

Além de toda a correria do cotidiano e das batalhas o produtor está trabalhando em seu álbum, intitulado “Menor Aprendiz” e em cerca de 10 projetos dos seus clientes do estúdio, diversos artistas de diferentes gêneros, desde o rap, trap, hip-hop, funk e até mpb. 

o jovem produtor, quer ser a voz daqueles que são calados Foto: @Fabio.Nev

“O processo se inicia com uma ideia e sentimentos definidos, aonde me junto ao artista para debater vários assuntos desde a música e suas filosofias. De início gravamos um pedaço da voz para termos um guia e descobrir a tonalidade a escala que a música seguirá. Depois que as bases foram estabelecidas, é puro processo criativo, aonde o espírito dos envolvidos se unem num só propósito”. Explica Matheus 

O artista explica que o artista independente trabalha 40x mais, “O artista sem uma gravadora tem que correr atrás de estúdios, equipamentos, conexões, divulgação, trâmites legais entre outras coisas, é complicado por outro lado quando se tem um apoio de uma gravadora, talvez você não tenha independência”. 

E para o futuro o jovem quer ser a voz daqueles que são calados. Carregar uma mensagem vivida nessa geração para a próxima, segundo o ditado de Nina Simone: “É uma obrigação artística refletir o meu tempo.” Conclui.

 E completa que pretende estabelecer seus negócios e soltar seus trabalhos musicais na rua da melhor forma. E transmitir uma mensagem positiva e construtiva para essa e a próxima geração. Tocando a vida do máximo de pessoas possíveis, sempre para o bem e o autoconhecimento.

MCs

Emanoel Victor de 21 anos participa de batalhas desde 2017, pois aa a cultura e entende a importância de se ter movimentos e diversidade não só onde mora, mas em toda parte do mundo.

“É muito bom ver que a quebrada onde vivemos tem essa ideia de uma roda de rima no meio da cidade. Se a nossa Cultura não fosse tão marginalizada ela poderia agregar de forma colossal a sociedade, pois o rap e o hip hop salvam vidas, mas nós não somos vistos por isso. E o mundo precisa enxergar precisamos sair das caixas” finaliza 

 Josué Carvalho de também 21 anos rima a 4 anos e sabe, e tenta mostrar que o rap só tem a agregar além de trazer mentes pensantes e fora do padrão para a sociedade.

“O RAP só tem a somar com a sociedade, principalmente com as comunidades mais carentes, pois traz, toda uma realidade que muitos não tem conhecimento, e acaba sendo um manual de vida, traz também uma visão para a nova geração não optar pelo caminho errado, de crimes, drogas. Nós fazem pensar no futuro a querer mais, mostrar mais, ser mais do que possamos ser. O RAP tá aí pra trazer novas ideia novas opções de vida, e te ensina muitas coisas necessárias pra ter uma boa convivência em meio a sociedade nos dias de hoje”.

Redes:

  •  @mavropnevma (pessoal) 
  • @batalhadotrashrf1 (batalha) 

Trash Park

  • Toda quarta a partir das 19h 
  • Skatepark do Riacho Fundo

Alo Valparaíso/