(Foto: Lucio Bernardo Jr/Agência Brasília)

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O bem-estar dos animais é prioridade no Zoo de Brasília

No Jardim Zoológico de Brasília, uma equipe se dedica à terapia ocupacional dos bichos. Conheça um pouco como isso funciona

Uma equipe de profissionais da capital desenvolve um trabalho de fazer inveja aos melhores “personal trainers” do país. O público-alvo é para lá de especial: inclui mamíferos, aves e até os répteis. Exercícios físicos, estímulos visuais ou sensoriais, dinâmicas para o stress, atividades de lazer, movimento – é terapia ocupacional da melhor qualidade, realizada pelo Núcleo de Bem-Estar Animal do Jardim Zoológico de Brasília.

O zoo é um dos poucos do Brasil que tem um setor exclusivo para cuidar do bem-estar animal. O objetivo da unidade é proporcionar uma vida “digna” às espécies, ou seja, fazendo com que elas se sintam capazes de exercer as mesmas funções que teriam, se estivessem em seu habitat natural.

“O nome do nosso núcleo é autoexplicativo. Pensamos nas necessidades básicas dos animais, como comida, água e cuidados veterinários, mas também proporcionamos os meios para eles não sentirem medo ou angústia e para terem uma saúde ótima”, explica Marisa Carvalho, chefe do Núcleo de Bem-Estar Animal.

O bem-estar animal é desenvolvido por meio de duas atividades principais do núcleo, o enriquecimento e o condicionamento dos animais.

O enriquecimento é feito de acordo com o comportamento do animal, pela alimentação e pela ambientação dos recintos, com o intuito de tirar o animal da rotina e entretê-lo de diversas formas. Para planejar as atividades, Marisa Carvalho leva em conta a conduta apresentada pelo animal em período específico e qual o objetivo a alcançar com a atividade.

O planejamento das atividades considera se os animais vivem sozinhos ou em grupos, se estão no período reprodutivo ou se precisam de mais atividade social. A análise se estende também à necessidade de enfatizar a atividade física ou à oportunidade de apresentar alguns desafios para o animal.

O condicionamento faz com que o animal aprenda a executar um comportamento, por meio de um reforço positivo – a recompensa. Por meio dessa atividade, a equipe consegue obter a participação voluntária do animal nos procedimentos veterinários e de rotina, garantindo a sua segurança e a das pessoas envolvidas. Assim, já condicionados a receber toques dos médicos veterinários ou tratadores, os animais reagem bem quando são necessários procedimentos de rotina, como a realização de um curativo, que pode ser feito sem a aplicação de uma anestesia.

A rotina do rinoceronte Thor é bem emblemático. Com um problema oftalmológico crônico, Thor precisa que os olhos sejam limpos e que seja aplicada pomada em volta deles. Para isso, ele deve entrar no brete de contenção (corredor que prende o animal em um determinado espaço para ser cuidado).

“O Thor faz isso com a maior tranquilidade e deixa as pessoas examiná-lo. Enquanto os técnicos ou tratadores vão cuidando do problema ocular, também vão passando a escovinha no corpo dele e dão comida na boca, que já são premiações”, explica a superintendente de Conservação e Pesquisa do zoológico, Luísa Helena Rocha da Silva.

Planejamento

Balanço de bambolê para macacos aranha cara preta-ilha. Trança grande com hortifruti para as araras, flores de paineira do parque para as maritacas, pirâmides de rolos de papelão para os sauins de coleira, CD’s pendurados para os micos, tronco com essência no recinto do urso, canos de PVC com ração no chão para as lhamas e cervo damas e bola de cipó com hibisco para jabutis. Essas são algumas das atividades realizadas pelo Núcleo de Bem-Estar Animal em março.

Várias pessoas realizam as atividades programadas pelo núcleo, principalmente os tratadores, que estão no dia a dia em contato maior com o animal. “A nossa equipe é formada pelos 45 tratadores, pelos supervisores e os assistentes do zoológico. Hoje podemos contar com todos que trabalham aqui. Sem essa colaboração, não teríamos a efetividade na realização das atividades planejadas”, explica Marisa Carvalho.

O bem-estar animal é baseado na observação e relatos de técnicos e tratadores, a partir de rondas diárias. Como o do tratador Anderson Lima Sousa, 40 anos, no zoo de Brasília há mais de uma década. Apaixonado pelo trabalho que realiza, Anderson afirma que o treinamento é fundamental para identificar sinais de situações positivas ou negativas, manifestadas pelas espécies. “A gente se acostuma e se apega aos animais. E eles acabam interagindo com a gente“, revela o tratador.

Para Diego de Souza Vieira, 35 anos, os nove anos como tratador no zoológico de Brasília resultaram em olho clínico para identificar sinais de anormalidades nas espécies. “Depois de tantos anos convivendo com os animais, só de olhar nós já sabemos quando eles não estão bem ou se tem alguma coisa diferente”, afirma Diego.

Com a colaboração da Agência Brasília