A juíza Tatianne Marcella Rosa Borges determinou na quinta-feira (23) que a adolescente apreendida suspeita de matar o dono de um bar volte para casa, em Rio Verde, no sudoeste goiano. A decisão foi tomada com base nas informações preliminares da Polícia Civil, que apontam que a menor agiu em legítima defesa. A menina, de 13 anos, alega que o comerciante tentou estuprá-la.

O caso aconteceu na madrugada de quinta-feira (21), no bar da vítima, Admilson Luiz de Morais, de 46 anos. A Polícia Militar apreendeu a adolescente logo após a morte do comerciente. Desde então, ela estava na Delegacia de Apuração de Atos Infrancionais, de onde foi liberada após a decisão judicial.

Na quarta-feira, a menor passou por audiência no Ministério Público Estadual (MP-GO), quando reforçou que agiu em legítima defesa. O promotor de Justiça Lúcio Cândido não informou se tomará alguma medida em relação ao caso. Segundo o Poder Judiciário, ele não representou pela internação da menina.

Crime
De acordo com o delegado Maurício Antônio Oliveira Santana, responsável pela investigação, a adolescente relatou em depoimento que estava indo para casa após visitar uma amiga quando parou no bar e pediu um copo de água ao comerciante. O comerciante pediu que ela entrasse e ofereceu um refrigerante.

“Ela entrou e o dono do bar foi para o banheiro. Em seguida, ele já retornou sem roupa e tentou agarrá-la. Houve uma briga entre os dois e a menina conseguiu pegar uma faca e atingir o homem no peito”, disse o delegado ao G1.

Na discussão, o homem ainda conseguiu tirar a blusa da menina, que ficou só de sutiã. Em seguida, a adolescente conseguiu fugir, mas vizinhos que ouviram o comerciante pedir socorro e acionaram a Polícia Militar, que a apreendeu em uma praça e a levaram para a delegacia.

Investigação
Conforme o delegado Carlos Roberto Batista, que realizou o flagrante, os indícios apontam para um caso de legítima defesa. “Como ela afirmou, ele estava nu quando foi encontrado morto e como ele é muito obeso, acho que não daria para ela ter tirado a roupa dele após o crime. A menina também estava suja de sangue, o que sugere uma briga. Além disso, a vítima tinha apenas uma perfuração, o que não indica um ato por pura violência”, enumerou.

De acordo com Batista, a menina vive em situação de risco, pois, apesar de morar com a família, passa muito tempo na rua. Além disso, ela consta como vítima em duas ocorrências: uma como vítima de estupro e outra como pessoa desaparecida. Já o dono do bar tinha duas ocorrências por estupro de vulnerável registradas em 2014 e 2015.

Santana informou que deve colher mais depoimentos na próxima semana. “Vamos ouvir familiares e aguardar os laudos para poder concluir a investigação”, afirmou o delegado.

A menor deve responder por ato infracional análogo ao crime de homicídio. Se condenada, ela pode ficar no máximo três anos em um centro de internação.

Via G1 GO