Compartilhe esta matéria!

Juízas afegãs ameaçadas pelo Talibã chegam ao Brasil após pedido de ajuda humanitária

Ao todo, 26 pessoas, incluindo familiares das magistradas, estão acolhidas em Brasília. Grupo vai receber documentos e aulas de português.

Juízas afegãs ameaçadas pelo Talibã chegam ao Brasil após pedido de ajuda humanitária — Foto: Renato Araújo/Agência Brasília
Juízas afegãs ameaçadas pelo Talibã chegam ao Brasil após pedido de ajuda humanitária — Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

Sete juízas afegãs e seus familiares que receberam vistos humanitários chegaram ao Brasil esta semana após pedido de ajuda. O grupo, incluindo crianças, desembarcou no Distrito Federal nesta quarta-feira (20), onde vai ficar hospedado.

Ao todo são 26 pessoas, que vão receber aulas de português com professores da Universidade de Brasília (UnB), apoio médico e alimentação (veja detalhes abaixo). A ação humanitária é em parceria com o governo federal e a Associação dos Magistrados Brasileiros.

Autoridades e entidades de classe vinham se mobilizando pelo acolhimento da magistradas no Brasil, desde agosto, quando o regime extremista do Talibã tomou o poder no Afeganistão.

VÍDEO: Talibã comemora com tiros saída de tropas americanas do Afeganistão

O pedido é para emissão de vistos humanitários para 270 juízas que ainda residiam no Afeganistão. O documento destacava que as magistradas “encontravam-se em risco por desempenharem a função” e, eventualmente, por “terem julgado e condenado membros do regime Talibã”.

A diretora da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e especialista no tema, Clara Motta, explica que as magistradas têm um visto humanitário dado pelo Brasil, ou seja, tinham autorização para entrar no país e pedirem o asilo, que é feito através do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE).

“Eu acredito que o processo será rápido porque há uma predisposição do governo brasileiro, dos órgãos públicos e uma situação clara de perseguição no país de origem. O Brasil deve auxiliar o cumprimento dos termos da convenção internacional de direito dos refugiados de 1951”, explica Clara.

Em agosto, no entanto, a ministra do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, disse em entrevista à GloboNews que “será difícil resgatar todas essas mulheres”.

“Já não são mais 270, algumas já morreram, lamentavelmente foram assassinadas”, disse Rocha, à época.

Acolhimento em Brasília

No Distrito Federal a ação humanitária é acompanhada pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus). O governo local vai oferecer acompanhamento social, psicológico, de saúde, rede de ensino e documentação às mulheres afegãs e familiares.

O Talibã é conhecido como grupo fundamentalista que, em uma primeira passagem no governo do Afeganistão, nos anos 1990, restringiu direitos básicos das mulheres, impedindo-as de terem acesso ao mercado de trabalho, à educação e até de frequentar espaços públicos sem a presença dos maridos.

Alo Valparaíso/G1