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Idiota é quem não percebe que a Globo passa pelo pior momento de sua história

Desabafo de Galvão; perda de eventos; insulto a Neymar… Veja por que os globais estão à beira de um ataque de nervos

“O segundo gol do Flamengo contra o Barcelona vai me fazer falta na vida ter narrado. É um gol que a bola passa pelos 11 jogadores do Flamengo em 12 passes. Tudo de primeira, só o Everton Ribeiro dá dois passes. É o maior gol de almanaque que eu vi na vida. Há muitos anos não vejo na Europa nada tão perfeito.”

O desabafo feito na semana passada por Galvão Bueno é revelador. Mostra o quanto tem sido frustrante para os profissionais da Rede Globo ver o seu poderio enfraquecer. O jogo do Flamengo em questão agora é uma exclusividade do SBT.

Talvez tenha sido esse um dos motivos que levaram Galvão a perder a compostura, ao final do jogo Colômbia 0x0 Brasil, chamando Neymar de “idiota”. O áudio vazou e viralizou nas redes sociais.

Nas entrelinhas, o que Galvão quis dizer naquele desabafo sincerão foi que a Globo não é mais a mesma. Vários fatores fazem com que o maior conglomerado de mídia do Brasil veja seu poder escorrer por entre os dedos. Isso não significa que ela não continue poderosa. Ainda é uma potência, porém já não interfere mais nos rumos do país e não consegue impor padrões, como nos velhos tempos – especialmente no segmento esportivo.

Só pra citar alguns exemplos, depois de anos de domínio no mercado, a Globo perdeu os direitos da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. E as finais desses dois torneios, pela primeira vez na história, serão disputadas por clubes brasileiros. Talvez a gente não tenha a noção exata do estrago comercial que isso representa.

E como se já não bastasse a “dor de cotovelo” de ver a audiência da Band crescer aos domingos nas transmissões da F-1 – que era uma exclusividade global há quase meio século –, a Champions League, o mais importante torneio de clubes do planeta, também foi para o SBT, que já era a dona da Libertadores.

Chega a ser constrangedor para a Globo evitar falar sobre esses eventos nos seus programas de esportes. Isso é o que chamamos, na linguagem jornalista, de “brigar com a notícia”.

O fato é que, historicamente, um império não acaba de repente. Ele vai perdendo lentamente a sua força. Idiota mesmo é quem não percebe que a Globo passa pelo pior momento de sua história.

Alo Valparaíso/g1