Ouvir relatos de vítimas de assaltos a ônibus tornou-se algo comum e rotineiro em Valparaíso de Goiás, cidade goiana localizada no Entorno do Distrito Federal.

Segundo passageiros que procuraram a nossa redação, a insegurança no transporte público da região é assustadora e faz com que os bandidos não sintam medo em praticar ações criminosas na BR-040.

“Moro em Valparaíso desde o início da década de 90. Porém, parece que nos últimos dois anos a violência aumentou e a área da segurança não recebeu investimentos. Trabalho em Brasília e sou usuário de ônibus. Os passageiros pagam para usar um transporte sucateado e ainda sofrem com o grande número de assaltos. Todos os dias acontecem furtos dentro de ônibus e nada é feito. O trabalhador sai de casa sem saber se voltará”, disse o passageiro Amilton Cardoso ao Alô Valparaíso.

De acordo com Nayara Xavier, outra vítima de assalto, o sentimento de revolta é grande entre os trabalhadores que dependem do transporte público precário e inseguro. A passageira que trabalha em Taguatinga, conta que teme sempre pelo pior e que a situação de grande risco causa traumas irreversíveis aos usuários expostos ao perigo dentro dos veículos.

“No ano passado, mataram um rapaz do Exército, dentro de um ônibus chegando aqui em Valparaíso. Um protesto foi realizado e parece que as autoridades apenas se preocuparam em desbloquear a rodovia que foi fechada na manifestação. Enquanto isso, estamos entregues nas mãos de delinquentes, que agem diariamente dentro de ônibus que levam passageiros para o DF e trazem de volta para o Entorno. Estou traumatizada, já passei por isso diversas vezes e não aguento mais. Os prejuízos são financeiros e psicológicos. A cada parada de ônibus eu sinto medo, sempre imagino que assaltantes entrarão no veículo para anunciar mais um assalto”, desabafou a passageira que aguardava ônibus para o DF numa parada da Etapa A. 

Segundo o estudante Eduardo de Carvalho, de apenas 16 anos, a sensação de medo espalhou-se e a crescente onda de assaltos dentro de microônibus na cidade também é assustadora. “Eu vou para escola e todos os dias testemunho fatos relacionados à violência. Aqui na cidade todo mundo conhece alguém que já foi assaltado no interior das vans ou sentado numa parada de ônibus. Sinto medo e fico revoltado com a omissão das autoridades e gostaria que a Polícia Militar atuasse mais no trajeto onde diariamente os passageiros são assaltados”, concluiu o jovem.

Por Marcelo Carlos