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Goiás é o 5º estado com maior aumento na pobreza, segundo estudo da FGV

Levantamento aponta que de cada 100 goianos, 24 vivem com até R$ 450 por mês. Perda de empregos e suspensão no Auxílio Emergencial são apontados como causas.

Goiás é o quinto estado onde a pobreza mais cresceu, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado este mês. O levantamento aponta que de cada 100 goianos, 24 estão na faixa da pobreza. A pandemia de Covid-19 é um dos principais fatores para esse cenário.

Uma das famílias impactadas pelo empobrecimento causado pela pandemia é a da Lucielma Maria da Conceição. Ela perdeu o emprego nesse período e vem enfrentando dificuldades para sobreviver mesmo com o básico. Para se alimentar, ela tem apenas arroz e feijão, já que a carne, pelo preço, virou artigo de luxo.

“Antes a gente já vinha passando um ‘perreio’, mas agora piorou com a pandemia. Já faz muito tempo, desde que a carne ficou cara, tudo ficou caro, a gente não tem mais uma alimentação saudável”, disse.

O percentual de pobreza aumento um quase todos os estados brasileiros, segundo a FGV. Em Goiás, a parcela de pessoas que estão na linha da pobreza, vivendo com até R$ 450 por mês, aumentou 5,9%. No primeiro trimestre de 2019, Goiás tinha 18,1% de famílias vivendo no nível da pobreza. No mesmo período de 2021, o número foi para 24%, o que representa cerca de 1,7 milhão de pessoas.

O estado ficou atrás do Distrito Federal (7,9%), Rio de Janeiro (6,9%), Roraima (6,4%) e Mato Grosso (6,4%).

Família com geladeira vazia em Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Família com geladeira vazia em Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

“Houve uma grande perda de ocupações devido à pandemia, o que foi bastante mitigado pelo Auxílio Emergencial em 2020, mas em 2021, no primeiro trimestre, esse auxílio foi suspendido. Os empregos que foram perdidos na pandemia eram empregos ocupados por pessoas mais vulneráveis. Eram empregos informais, de baixa qualificação, que não é possível fazer home office”, disse Daniel Duque, economista e pesquisador da FGV.

O educador financeiro Maurício Vono diz que um dos motivos para o endividamento e empobrecimento das famílias é a alta no preço de diversos produtos. “As coisas estão mais caras. Então, se eu ganho a mesma coisa, fica mais difícil. O cobertor está curto, então fica mais difícil cumprir todas as despesas”, explicou.

A Secretaria de Desenvolvimento Social de Goiás disse que a pandemia afetou a economia e, por causa disso, o governo estadual implantou ações para tentar minimizar esse impacto, como a criação da Secretaria da Retomada. Também foram feitas compras e distribuições de cestas básicas, além da entrega de cartões com o valor de R$ 250 para complementar a renda de famílias vulneráveis.

Reflexos

O empobrecimento das famílias também causa outros impactos. Wiviane Lima de Oliveira, de 23 anos, não tinha dinheiro para comprar o gás de cozinha. Ela, então, resolveu usar álcool para conseguir cozinhar. Porém, se acidentou e teve queimaduras por várias partes do corpo.

“Eu estava sem gás e já tinha cozinhado outras vezes assim, o fogo voltou na minha mão e explodiu, joguei o galão no chão e pegou fogo na casa toda”, explicou.

Wiviane Lima sofre queimaduras ao cozinhar com álcool por falta de gás — Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
Wiviane Lima sofre queimaduras ao cozinhar com álcool por falta de gás — Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Wanderson Ferreira da Costa não conseguiu pagar a conta de energia e estava usando velas para iluminar os cômodos. Uma delas acabou causando um incêndio que destruiu parte do imóvel.

“Agora é bola para frente, levantar a cabeça e ir atrás. O que vale é a vida da gente. Estamos vivos, trabalhando e com saúde”, contou Wanderson.

Alô Valparaíso/* Com informações G1