O Alô Valparaíso segue em cima dos fatos, e hoje apresenta entrevista exclusiva com o Professor Weslei, morador de Valparaíso, secretário de formação do PSOL e ex-candidato ao governo do Estado em 2014. O psolista é contra a implantação de Organizações Sociais (OSs) em escolas da rede estadual de ensino, em Goiás.

No nosso bate-papo, Weslei Garcia fala sobre a resistência de seu partido ao novo modelo administrativo da educação goiana e garante apoio ao movimento secundarista que segue lutando contra a implantação das OSs na rede pública estadual. Weslei é um ferrenho opositor de Marconi Perillo (PSDB) e afirma que o governador está precarizando a educação em Goiás. O professor também rebate a declaração de Raquel Teixeira, que no início da semana disse estar horrorizada com manifestantes secundaristas que protestam na sede da Seduce, em Goiânia. Para Weslei Garcia, a Secretária está tentando apenas criminalizá-los no intuito de desviar o foco. O psolista informa que, segundo estudantes da capital, militantes ligados ao PSDB estão sendo infiltrados nos protestos em busca de criminalizar as ocupações estudantis.

Confira abaixo a entrevista exclusiva na íntegra:

Alô Valparaíso: Qual a posição do PSOL Goiás em relação à entrada de OSs (Organizações Sociais) no ensino público estadual?

Professor Weslei: O Partido Socialismo e Liberdade é totalmente contrário às implementações das OSs na educação bem como a militarização do ensino público estadual. Isso porque esse modelo de terceirização precariza o ensino público, retira direitos trabalhistas e serve como gargalo de corrupção. O mesmo já ocorre na saúde pública do Estado. E o resultado é visível. Hospitais abandonados onde faltam de tudo. Temos um atendimento péssimo à população e falta transparência nos altos salários dos gestores e nos contratos findados. Inclusive, enquanto candidato ao Governo de Goiás em 2014, já denunciávamos esse modelo segregador na saúde e afirmávamos que iríamos interromper com as OSs imediatamente. Inclusive, no último dia 29 de janeiro, na sede do STIUEG (Sindicato dos Urbanitários do Estado de Goiás) o PSOL participou de um grande ato que contou com várias entidades e com estudantes secundaristas em apoio às ocupações que vem ocorrendo em 26 escolas estaduais há mais de 40 dias além da ocupação da Secretaria Estadual de Educação em Goiânia.

Alô Valparaíso: O governador Marconi Perillo segue afirmando que, o Governo do Estado trabalha para que o serviço de educação oferecido em Goiás faça a diferença no Brasil. O senhor acredita que as Organizações Sociais proporcionarão este ensino de qualidade aos goianos?

Professor Weslei: O que Marconi Perillo vem fazendo é a precarização proposital do ensino público para justificar as OSs. Ele cortou a titularidade dos professores da rede estadual, acabou com a gestão democrática, parcelou salários, não fez mais concurso público e assina sua incompetência em gerir a coisa pública quando passou a Polícia Militar a responsabilidade com as escolas públicas. Professores da rede estadual chegam a lecionar mais de uma disciplina para completar a carga horária, na maioria das vezes por imposição e com disciplinas que não possuem habilitação, e lidam com 14, 15 diários de classe. Esses profissionais não possuem Jornada Ampliada e seu Plano de Cargos e Salários estão defasados e abaixo do Piso Nacional. As escolas estão sucateadas e abandonadas. Infraestrutura decadente onde o modelo estrutural dos colégios estaduais mais lembram presídios não apresentando nenhum atrativo pedagógico aos estudantes.

Alô Valparaíso: Na última terça-feira, estudantes da capital realizaram um ato de protesto no prédio da Seduce, em Goiânia. A secretária de educação Raquel Teixeira, classificou as ações do grupo Secundaristas Em Luta, como uma atitude “extremista, agressiva e inaceitável”. Ela diz ter ficado horrorizada com a invasão de manifestantes mascarados. Quem não está mostrando a verdadeira face nesta luta?

Professor Weslei: Os estudantes secundaristas estão acampados em frente à SEDUCE em Goiânia. Não houve nenhum ato de vandalismo como tentou criminalizar Raquel Teixeira. Os próprios estudantes apontam que pessoas ligadas ao PSDB infiltradas no movimento provocaram danos para criminalizar as ocupações. O que vem ocorrendo é justamente o contrário. Estudantes foram severamente agredidos por policiais militares. O que está havendo é um verdadeiro cenário de horror por parte do Governo sobre crianças e adolescentes. Escolas tiveram o abastecimento de água e energia elétrica cortados pelo Governo e inúmeros alunos sofrem ameaças e tiveram aparelhos eletrônicos danificados. Tudo será encaminhado ao Ministério Público e denunciado também junto aos Direitos Humanos.

Alô Valparaíso: Por que os secundaristas do interior de Goiás não aderiram à onda de protestos contra a chegada das Organizações Sociais na educação?

Professor Weslei: Muitas cidades vizinhas à região de Goiânia já possuem ocupações. Mas o fato é que se trata de um movimento genuinamente estudantil sem a interferência de partidos políticos ou entidades sindicais. Portanto o grande foco ainda está na capital e sua região metropolitana.

Alô Valparaíso: A atuação das OSs da Educação trará prejuízos aos professores do Estado de Goiás?

Professor Weslei: Como afirmei anteriormente, as OSs apenas trarão a precarização do ensino e prejuízo aos professores. Além de perderem a gestão democrática, não possuírem jornada ampliada e terem perdido a titularidade, os professores agora sofrem com a possibilidade do fim de concursos públicos e a total terceirização da categoria. Além de terem os benefícios dos Planos de Cargos e Salários congelados e defasados por falta de reajuste por parte de Marconi e o não cumprimento do pagamento do Piso Nacional.

Por Marcelo Carlos 

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