A presidenta Dilma Rousseff fez hoje (31) um apelo ao diálogo e à tolerância no país dividido pela polarização política. Ao discursar para uma plateia de artistas e intelectuais que se manifestaram contra o impeachment, ela disse que é preciso resolver o processo do seu impedimento para acabar com a intolerância na sociedade.

“Temos que resolver [a questão do impeachment] porque o Brasil não pode ser cindido em duas partes que é o que estão propondo. Na verdade, estão propondo isso: um golpe tem esse poder. Não é correto que as pessoas sejam estigmatizadas pelo que pensam: nem de um lado, nem de outro. Não se criará o convívio democrático com essa situação”, disse ela.

Para Dilma, o país tem de lutar para superar esse momento de crise. “Cada um de nós aqui tem respeito pela democracia. Quer essa democracia recheada de conteúdo e respeitada na sua forma. Não se negocia aspectos da democracia”, acrescentou.

A presidenta reiterou em seu discurso a necessidade do diálogo. “Precisamos do fim do ódio, para que esse país não sofra as consequências de uma ruptura entre seus integrantes”, disse ela, que também criticou a intolerância política: “estigmatizar as pessoas pelo que elas pensam? Outro dia uma pessoa me disse que isso parece muito com nazismo. Primeiro você bota estrela no peito e diz: é judeu. Depois bota no campo de concentração. Essa intolerância não pode ocorrer”.

Aos gritos de “Não vai ter golpe, vai ter luta” e “Golpistas, golpistas, não passarão”, artistas e intelectuais discursaram em apoio à Dilma, à democracia e contra o impeachment no ato no Palácio do Planalto.

Dilma agradeceu o apoio dos intelectuais e artistas e lembrou que muitos não votaram nela em 2014. “Todos aqui têm distintas filiações partidárias, muitos não as têm e outros, inclusive, têm posições contrárias ao governo. Muitos nem mesmo votaram em mim”, disse ela ao lembrar o que os une, neste momento, é a defesa da democracia: “Isso nos une a despeito da nossa diversidade, das nossas diferenças de posições políticas. Significa que acreditamos e lutamos pela democracia”.

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil