Os casos de dengue no Entorno do Distrito Federal colocaram em estado de alerta máximo a Secretaria de Saúde de Goiás. Ao todo, 7.967 pessoas estão com a infecção transmitida pelo Aedes aegypti nas 10 cidades limítrofes ao DF. O Executivo goiano é taxativo: a região centraliza a crise da doença no estado. Luziânia, Formosa, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso são os locais onde o risco é maior. Os reflexos são sentidos também na capital federal. Das situações ocorridas aqui, 59% se concentram em Brazlândia, Ceilândia, Taguatinga, São Sebastião, Samambaia e Planaltina — pontos com ligação direta com os municípios que lideram o ranking das contaminações.

No estado vizinho, 61.996 pessoas adoeceram por dengue — alta de 18,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Goiás já ultrapassa o total de casos registrados em 2011 e 2012. Em apenas sete dias, eles aumentaram 10,7% nos 10 municípios do Entorno. Autoridades sanitárias investigam 30 mortes — sendo seis em municípios limítrofes ao DF. Há, ainda, 107 casos de zika. Desses, 16 são no Entorno: 10 em Santo Antônio do Descoberto; quatro em Valparaíso e dois na Cidade Ocidental. As infecções de chicungunha somam 148 ocorrências — duas no Entorno.

O governo goiano admite falhas no combate ao mosquito. Para se ter ideia dos entraves, cada vigilante epidemiológico é responsável por 636 domicílios no Entorno. Apesar do recuo no índice de infestação por Aedes aegypti na região — de 74,16%, em janeiro, para 37,26%, em fevereiro —, o cenário continua preocupante (veja arte). “Tivemos alguns avanços, mas ainda temos que intensificar os trabalhos. A intenção do governo é erradicar o mosquito do território goiano, mas isso será possível apenas com investimento em infraestrutura e saneamento básico, sobretudo nos municípios do Entorno”, avalia Leonardo Vilela, secretário de Saúde de Goiás. Para o gestor, o crescimento desordenado e os problemas ligados a serviços como limpeza urbana, fornecimento de água e coleta de esgoto são os principais desafios a serem vencidos na região.

No DF, a dengue aumentou 337% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, 7.146 pessoas estão com a infecção. Das 31 regiões administrativas 10 vivem situação de risco máximo para a doença. Segundo Cristina Segatto, diretora da Vigilância Epidemiológica, a partir do segundo semestre, o governo vai formular o Caderno da Saúde do DF. O levantamento servirá de diretriz para o controle de doenças. “Com essa análise, vai ficar mais fácil agir. Saberemos o que está acontecendo, o motivo e como vamos trabalhar. Será uma mudança de comportamento para 2017”, explica.

Matéria do Correio Braziliense