A secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, afirmou ao Jornal Opção que o imbróglio da privatização da Celg-D deve ser solucionado em breve. Isso porque o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) sinaliza positivamente ao pleito do Estado, que tenta solucionar esse problema há meses.

Na verdade, ela sustenta que a venda da estatal goiana pode ser “o primeiro gol do governo Temer na área de privatizações”. “Vai ao encontro da agenda que o novo governo apresentou, de redução do Estado e privatização de empresas públicas. A Celg é a joia da coroa do setor elétrico e o Planalto sabe disso”, completou.

De acordo com o acordo, o leilão terá preço mínimo de R$ 2,8 bilhões e, somadas as dívidas que deverão ser assumidas pelo comprador, o negócio totalizará R$ 5,2 bilhões, segundo informação apresentada pelo International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, que participa do processo de venda.

O processo estava parado por interferência partidária — suspeita-se que o ex-presidente Lula (PT) trabalhava nos bastidores do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para impedir o negócio, que será benéfico para o governador Marconi Perillo (PSDB), inimigo declarado do líder petista.

Segundo a secretária, agora, ficou definido com o Ministério das Minas e Energia que não há porque rever o valor mínimo da negociação. “O próprio mercado tem condições de ver se é justo, ou não. É melhor que vá a leilão com o preço já estabelecido, pois há fatores que não estão necessariamente incluídos: demanda reprimida em Goiás, Estado cresce acima da média brasileira, condições geográficas favoráveis. Há potencial”, explicou.

A preocupação com relação a demora da publicação do edital — que deveria ter sido publicado em fevereiro — é justamente o aumento da dívida da companhia. O governo de Goiás assumiu uma dívida de R$ 2,4 bilhões em passivos da companhia (como previa o acordo), mas a maior parte do montante ficará para a Eletrobrás, que detém 51% das ações.

“Temer tem duas opções, ou aceita o negócio, que vai injetar mais de dois bilhões de reais no caixa do governo federal, ou contabilizará mais um esqueleto. Vão deixar virar passivo?”, questiona Ana Carla Abrão.