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Câncer: Medo da Covid-19 impede rotina de prevenção

Pandemia continuará influenciando resultados oncológicos e atrasar o tratamento de um câncer por um mês aumenta o risco de mortalidade do paciente de 6 a 13%


É fato que a pandemia do Coronavírus mudou a vida das pessoas, tanto o comportamento quanto a forma de trabalho, a economia e, principalmente, os cuidados com a saúde. Pesquisadores do mundo inteiro têm alertado a população e a classe médica sobre o impacto futuro da Covid-19 na saúde oncológica. O Instituto Oncoguia, divulgou em março novos dados do Radar do Câncer. As informações foram compiladas por meio da coleta de dados do DATASUS, mapeando procedimentos de rastreamento, diagnóstico e tratamento dos pacientes e os comparando com o mesmo período de 2019.


Um dos principais procedimentos para o diagnóstico do câncer, as biópsias, tiveram uma redução de 39,11%, quando comparados os meses de março a dezembro de 2019 e 2020. Em 2019 foram realizados 737.804 desses procedimentos e, em 2020, um total de 449.275. Houve redução de mais de 50% nos exames citopatológicos e a mamografia de rastreamento, fundamental para o diagnóstico precoce, apresentou queda de 49,81%.


“Temos acompanhado exames de rastreamento adiados, sintomas e sinais negligenciados, medo dos pacientes de se contaminarem em clínicas e hospitais, restrições reais de acesso a prevenção, tratamento e acompanhamento, suspensão de procedimentos considerados eletivos ou não emergenciais”, enumera o médico oncologista clínico, Gabriel Felipe Santiago, que atende na rede pública e privada de Anápolis e Goiânia. Para o oncologista, a consequência disso é um impacto profundo na saúde oncológica dos brasileiros. “Não temos dados consolidados do primeiro trimestre de 2021, mas está claro que aqui a pandemia não acabou, podendo comprometer estes números de maneira similar ou até mais profunda do que 2020”, revela.


Gabriel faz um alerta de que a pandemia vai passar e os pacientes não podem pagar mais este preço devido ao coronavírus. “Atrasar o tratamento de um câncer por um mês aumenta o risco de mortalidade do paciente de 6 a 13%. Um risco que só tende a aumentar e a redução das taxas de cura já é esperada nos próximos anos”, enfatiza.


O médico afirma que a suspensão de procedimentos eletivos por causa da pandemia afastou pacientes oncológicos em acompanhamento e aqueles com suspeitas de câncer. “Com isso aumentou a possibilidade de haver mais tumores avançados por falta de diagnóstico precoce,” esclarece. A queda de exames diagnósticos para o câncer causará um grande impacto ao sistema de saúde. “Com mais casos avançados, o custo do tratamento é maior e as chances de cura também diminuem muito”, prevê. A cada ano no Brasil, cerca de 700 mil pessoas recebem o diagnóstico de câncer e 225 mil morrem por conta da doença. Em situações normais, o país já possui uma alta taxa de diagnóstico tardio, agora, com a pandemia, tudo indica que o problema vai aumentar muito.


Vacina – Quando chegar a vez da vacinação dos grupos prioritários dos pacientes com comorbidades, como o câncer, será necessário comprovar a doença no ato da vacinação, por meio de receituário, carteira do centro de câncer ou uma declaração do médico.


Aqueles com câncer metastático, em uso de drogas orais, que estão fazendo quimioterapia e radioterapia, que terminaram o tratamento nos últimos seis meses e que estão com cirurgias agendadas seriam os candidatos prioritários. “É importante que o paciente tenha o aval do oncologista que o acompanha. Ninguém melhor que o próprio médico para tirar eventuais dúvidas do paciente. Mas, claro, diante de uma impossibilidade [de acesso ao médico, é mais seguro tomar a vacina do que não tomar”, ressalta o oncologista Gabriel Santiago. A vacina é indicada para pacientes, de preferência, antes de iniciar o tratamento oncológico. “Os pacientes que se encontram em terapia imunossupressora, ou seja, terapia que diminui a imunidade, como quimioterapia, devem ser vacinados, de preferência, com a Coronavac, uma vez que a vacina de Oxford apresenta vírus atenuado. Nesse caso, a Coronavac seria a melhor opção para pacientes em terapia imunossupressora”, aconselha.

Alô Valparaíso/