Compartilhe esta matéria!

Caminhos certos por linhas tortas 

Além de músico e professor, Kaleb possui um podcast chamado Lombra Torta desde o mês de agosto de 2020, que já conta com 26 episódios e tem em sua essência ser uma conversa de bar entre amigos.

Kaleb Rickli Pacheco de 25 anos, além de músico e professor possui um podcast chamado Lombra Torta, desde o mês de agosto de 2020, que já conta com 26 episódios e tem em sua essência ser uma conversa de bar entre amigos. “Na própria descrição do podcast diz que não tem um objetivo bem definido, nem um tema específico, assim como são as conversas de bar. Dia desses uma ouvinte me disse que meu podcast parece a voz da nossa cabeça quando a gente tá voltando de ônibus do trabalho, acho que é bem isso, principalmente nessa minha fase em que estou trabalhando presencialmente, os episódios mais recentes estão vindo na base do ódio que um trabalhador brasileiro sente”. Afirma Kaleb

O jovem nasceu no Paraná e veio morar no Distrito Federal quando tinha apenas 8 anos, hoje mora sozinho com seu cachorro Zeca, e tem o Podcast como uma forma de conversar com seus amigos e nem amigos assim. “Nesses momentos do ônibus ou numa conversa de bar a gente pensa em coisa séria, coisa engraçada, pensa na nossa vida, no mundo ao redor, e tenta chegar em alguma conclusão. Para não dizer que não tem nenhum objetivo, quando decidi gravar o primeiro episódio eu lembro que estava me aventurando na escrita de comédia. Meu amigo MC Maneco me emprestou a senha de um curso online de comédia stand up, eu engoli aquele curso e comecei a subir no palco pra fazer stand up no final de 2019 e começo de 2020, até que veio a pandemia. Então um dos meus objetivos com o podcast era buscar uma forma de fazer comédia, de exercitar minha escrita, que não fosse num palco, já que estava tudo fechado”. Conta o artista 

Outro objetivo foi uma espécie de “autoterapia”. “Em agosto de 2020 eu tava meio que surtando (quem não tava né?) e uma sessão de terapia por semana estava sendo pouco pra eu falar tudo o que precisava, por isso alguns episódios  puxam mais para o autoconhecimento” desabafa Kaleb

Os episódios são feitos pelo artista e teve ajuda de pessoas como sua amiga Nath Vasconcelos que além do incentivo para começar, ofereceu toda a identidade visual do produto. “Ela realizou toda a identidade visual, foi na minha casa conversar e entender como seria o podcast e baseado nisso criou as capas dos episódios, os logos, o texto da descrição do podcast, sem me cobrar nada. Sou muito grato à Nath por isso”. Exclama o professor.

No início também teve ajuda financeira de apoiadores que pagavam uma quantia mensalmente. O que foi cancelado já que por não ter constância nas postagens Kaleb não achava justo eles pagarem

“Sou muito grato à ajuda que eles me deram, um salve pros lombrados tortos que me apoiaram!” Brada Kaleb

Para Kaleb e a grande maioria das pessoas que decidem começar um podcast sem investimentos de terceiros ou sem ser um influencer ou famoso, a  maior dificuldade é conseguir dedicar tempo a um projeto que não gera uma renda compatível com o esforço e qualidade. “Muita gente acha que quem faz podcast ganha dinheiro das plataformas, mas não gera um centavo. Então como a maioria dos projetos legais, é difícil dedicar tempo e priorizar algo, tenho que pagar minhas contas, mas sempre tive consciência que era uma diversão, até porque meu trabalho principal é o de músico e professor, mas caso gerasse uma renda considerável eu poderia dar mais prioridade”. Explica o artista 

Sua inspiração para o formato do produto seria o do Patrick Maia “Um dos primeiros podcasts que ouvi na vida foi o do Patrick Maia: “Porcos Voam”. Eu me inspirei muito nele. Ele dizia que o podcast dele tinha a duração de uma cagada, que é mais ou menos o formato que procuro, dificilmente os episódios do Lombra Torta passam de 25 minutos (se bem que eu demoro bem mais que isso no banheiro, preciso comer mais mamão)”. Conclui Kaleb 

E completa “outra inspiração foi o comediante Maurício Meirelles. Hoje ele tá numa pegada mais de entrevista, mas quando ele criou o podcast dele era uma parada bem parecida com o Lombra Torta, tanto que a capa do podcast é ele tomando banho, que é esse momento reflexivo onde a gente viaja demais. Ele gravava uns episódios sem roteiro, entre um show e outro, dava carona pra algum colega e ligava o gravador pra conversar sobre qualquer coisa, era algo bem solto. Eu achava bem autêntico e espontâneo, e gosto de ver comediantes falando por horas sem contar uma piada, mostra que eles não são só pessoas engraçadas, por isso tem alguns episódios que tento falar mais sério, nem sempre consigo”.

Kaleb tem o podcast como um momento de expressão sem julgamentos, se sente em seu mundo particular, onde conta histórias, fala errado, se expõe, às vezes pode passar vergonha mas sente que é uma liberdade criativa muito gostosa. “Fazer alguém rir é algo que eu gosto muito, parece que a pessoa absorve o que você tem a dizer sem nem perceber, de uma forma muito leve. Quando alguém ri de algo que você falou é como se ela assinasse embaixo de alguma forma, por isso as pessoas se sentem tão culpadas ao rir de uma piada pesada”. 

 E de forma reflexiva se sente bem quando recebe mensagens de pessoas que se identificam com as situações, e exclama que a vida é pesada demais e quando compartilhamos de momentos parecidos parece que dividimos dos mesmo problemas e o peso se torna mais leve. 

Quem é Kaleb?

Músico, mais especificamente pianista, cantor e rapper. O artista gosta de compor, fissurado por letras de músicas, acha que o maior prazer da vida é quando termina uma letra e uma melodia e fica olhando aquilo como se fosse um filho. Gosta muito de batalha de Rap, participa de batalhas desde 2012.

 Amante da educação é professor, gosta de ensinar, facilitar a caminhada de alguém, mediar um conhecimento. Atualmente trabalha com isso, dando aula de música, tanto aula particular de piano quanto aula de musicalização infantil, e trabalha também como tecladista em algumas bandas, tocando em bares e casamentos. É formado em piano pela Escola de Música de Brasília e está se formando em Licenciatura em Música na UnB, “se bem que já faz uns 2 anos que digo que estou me formando, mas agora vai!” Conta pensativo

 E finaliza afirmando que um de seus objetivos é fazer só o que gosta e não o que precisa, parece meio utópico, e o artista sabe disso. Profissionalmente seu objetivo é viver das suas músicas autorais. Tinha uma banda chamada Esquina, lançaram dois EPs, mas acabou que cada um foi para um lado e desde então não lançou nada autoral. Além de querer criar alguns projetos educacionais voltados para o Rap, “Sou rapper e estudo numa faculdade de música, e vi que nesse ambiente acadêmico o Rap é visto só como um discurso bonito, mas nunca é visto como “música de verdade”, e por trás disso existe o racismo e várias outras questões, então quero usar essa minha vivência que envolve esses dois mundos para criar essas pontes. Meu TCC vai ser sobre isso inclusive, mas ainda estou organizando as ideias”. Conclui Kaleb 

Segue lá:

  • @kalebmesmo no Instagram e Twitter
  • Você pode ajudar o Lombra Torta ouvindo todos os episódios, mostrando pros seus amigos que curtem uma lombra também, ou também financeiramente. Na descrição de cada episódio, fique à vontade para mandar todo seu patrimônio. Pix: kalebmesmo@gmail.com

Alô Valparaíso/Com as informações