Ajoelhado no corredor de um hospital, com a filha recém-nascida nos braços, um homem suplicava a Deus por misericórdia. A menina, tão desejada, mal havia chegado ao mundo e estava entre a vida e a morte: permanecia há 20 minutos sem qualquer sinal vital. Um padre encostou nas costas do pai desesperado e, sem saber detalhes do drama, pediu para batizar a criança. De forma milagrosa, a neném reagiu e voltou a respirar, impressionando todo o corpo clínico. Esse é apenas um dos muitos sustos, vitórias e reviravoltas na história da pequena Alice, nascida há apenas 44 dias, mas cheia de coragem e vontade de viver. Concebida em Brasília, ela luta contra uma doença rara que atinge uma a cada 100 mil crianças.

Alice nasceu em um hospital particular da Asa Sul, mas está internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Sírio Libanês, em São Paulo. A menina é portadora da chamada síndrome de ASA (Argininosuccinic aciduria), doença hereditária que compromete a produção de uma enzima responsável por quebrar o aminoácido existente no leite e transformá-lo em fonte de energia para o organismo. A patologia eleva o nível de amônia no cérebro, substância altamente tóxica e que pode levar ao coma e à morte.

Como a bebê está internada desde o dia 22 de maio, as custas hospitalares para manter Alice viva já passaram dos R$ 700 mil. “Já vendemos carro e tudo que podíamos. Largamos tudo em Brasília para nos agarrar a qualquer fio de esperança para salvá-la e não desistiremos. Vamos batalhar até o fim”, afirmou Afonso Valladão, 32 anos, pai da menina. O empresário, formado em tecnologia da informação, conversou com o Metrópoles enquanto estava dentro do quarto de hospital, onde permanece 24 horas por dia ao lado da esposa, acompanhando o estado da filha.

Via Metrópoles