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Artista não deixa o câncer abalar e registra sua marca no DF

Aline luta contra o câncer mas nunca deixou a doença a abalar, faz tratamento para a metástase e participa de três bandas além do seu projeto solo.

Linda Maria como é conhecida Aline Maria de 36 anos afirma ter conexão forte com a música desde pequena “Canto desde os 8 anos, sempre me identifiquei com o pop e rock mas não me imaginava 100% entregue a ela”.

A cantora que participa de 3 bandas e tem projetos solos conta como está a carreira em meio a pandemia “Agora estou focada em produzir melhor o material que já temos, fazendo videoclipes e gravações, na medida do possível, pois fazemos tudo em casa com recursos bem reduzidos. Tenho divulgado nosso material em rádios e redes sociais, tentando encontrar nosso público. Além disso, continuo trabalhando com produção cultural e também social media na maior casa de rock do DF”.

A cantora afirma ter a música como sua salvação “A música sempre foi uma válvula de escape, gostava de cantar junto com o rádio e passei a colecionar CDs e DVDs de vários estilos, desde os internacionais, passando por influências da MPB, a música regional como forró e sertanejo. A identificação com a língua inglesa sempre existiu e a aproximação com o rock aconteceu de forma mais natural nos últimos 4 anos. Hoje me considero uma roqueira de corpo e alma”

O início sem fim

Sua primeira participação na música profissional surgiu em 2015 e se chama Trio Bahia. Esse trio se formou de maneira bem espontânea a partir do convite de um amigo de infância baiano que vive de música aqui no DF, chamado Felippe Rodrigues, para que ela e seu esposo fizessem alguns shows com ele. Este repertório era bastante variado, “A cada apresentação surgiam novos convites e fui percebendo que aquilo era realmente o que eu amava fazer e fui sentindo uma maior identificação com a música pop e rock”.

Logo depois quis ousar um pouco entrando em uma banda cover de rock através de um anúncio na internet e foi quando se dedicou a conhecer o estilo e a ter noções de palco, performance, além de desenvolver afinidade com os outros integrantes da banda. Não demorou para surgir a primeira música autoral e, com isso, esse projeto rock’n’roll virou a banda Maryllusion.

Com o início da pandemia, tiveram de suspender as atividades presenciais e então decidiu se dedicar ao registro das músicas que já apresentavam ao vivo, mas que nunca tiveram gravação profissional. Foi quando oficialmente entraram na cena musical, através das plataformas digitais e rádios em várias partes do mundo, começaram a conhecer e alcançar seu público.

Metástase
Em 2017 Maria vinha passando por um período de desequilíbrios, psicológico abalado, alimentação e rotina desajustadas, inclusive se distanciando da música e no final do ano, através do auto exame, descobriu um nódulo na mama esquerda. “Fiz os exames todos o mais rápido possível e confirmei o diagnóstico de câncer de mama, iniciando as quimioterapias logo em seguida. Me afastei do trabalho que exercia na área de turismo e me dediquei 100% ao autocuidado e autoconhecimento”.

(Imagem: Arquivo pessoal/Reprodução)

A artista afirma que foram 6 meses administrando quimioterapias diferentes, buscando algo que fosse mais eficaz e que fosse menos tóxico para seu organismo, que sempre sentia baixas na imunidade e todas as consequências disso. “Porém a resposta não foi a esperada e decidimos partir para a cirurgia de retirada da mama e depois radioterapia. Em agosto de 2018 tinha terminado todas as etapas do tratamento e estava aguardando somente a cirurgia de simetrizarão da mama direita. Os exames mostravam que não existia mais câncer no meu organismo”.

Nesse momento Linda mudou completamente sua vida, tinha uma rotina de shows, de produção, deixando sua marca na cena local. “Então no final de 2019, após alguns meses sentindo dores que não eram justificadas nos exames, através de um exame mais completo chamado PET Scan, descobri que estava com metástase na região do tórax, pulmão e coluna. Imediatamente reiniciei o tratamento com quimioterapia, mais uma vez buscando algo que combatesse o câncer, sem deixar tantas sequelas no corpo”.

E assim Linda Maria segue, administrando a doença, os remédios e as reações no corpo. “Como não há uma perspectiva de cura para metástase, focamos no que os médicos chamam de sobrevida, que nada mais é que viver da melhor forma possível e seguir em frente dentro dessa nova realidade”.

Aquilo que ninguém pode tirar

A artista tem 3 músicas publicadas da banda Maryllusion: Bad Dream, Hurry Up e Don’t Let Your Hope Aside. E uma música publicada em seu projeto solo Linda Maria, que fala sobre a experiência e seu ponto de vista do câncer, chamada Love Me a Little. “Além dessas, tenho várias outras ainda para serem produzidas, gravadas e divulgadas. E sempre que vem uma inspiração continuo criando”. As músicas, superações e novos projetos podem ser acompanhados pelas redes sociais da cantora @alinelindamaria, @bandamaryllusion.

E em sua carreira existem grandes momentos mas um que não sai da sua cabeça é o Festival Convoca “ganhar uma vaga em festival através de votação popular foi bem marcante pra mim (Festival Convoca). Sentir a reação do público durante as apresentações também é algo muito forte e sempre me emociona, quando as pessoas cantam junto e pegam o celular pra registrar aquele momento, há uma troca de energia que é viciante. Além disso, tive a oportunidade de dividir o palco com artistas que admiro muito como Mariana Camelo, Felippe Rodrigues, bandas Azzarok, Manttra, Nasty e outras que me inspiram a ser uma artista melhor”.

Redação Alô Valparaíso