O município de Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal, conta com um grande trabalho social realizado pela desportista Janaína Raimundo, fundadora da Escolinha de Futebol Raça.  Ela utiliza o Futsal como uma ferramenta para mudanças sociais e a iniciativa tem dado grandes resultados.

Segundo Janaína, tudo começou há 16 anos, quando algumas crianças de rua pediram para que ela os ensinasse a jogar bola.

“Eu ainda era bem nova e nem tinha muita noção de nada, achei que podia ensinar um pouco do que aprendi como jogadora de futebol. Fui atleta do futebol amador feminino durante alguns anos. Com o tempo deixou de ser simplesmente uma brincadeira e se tornou o motivo pelo qual eu acordo todos os dias hoje”, disse.

A criadora da iniciativa voltada ao esporte tem experiência e já trabalhou em diversos projetos sociais, entre eles: Segundo Tempo, Peti e o Mais Educação. De acordo com Janaína Raimundo, foram justamente estes trabalhos que fizeram com que ela tivesse um desejo de trabalhar com crianças carentes

“Se eu colocar no papel mais de 1.000 crianças passaram pela minha escolinha. Com o tempo o Raça se tornou referência como equipe dentro deste município”, afirmou.

Leia na íntegra mais perguntas feitas em nosso bate-papo com a responsável pela escolinha de futsal:

Janaína Raimundo como surgiu seu amor pelo esporte?

Sempre fui apaixonada por futebol, desde pequena tive que enfrentar o preconceito, sempre a mesma frase: “Futebol é para homens”. Quando eu era pequena, por volta dos 7 anos, pulava o portão de casa pra jogar e sempre apanhava quando minha mãe chegava mais cedo e me pegava no flagra. Nada disso me impediu de jogar. Com 15 anos entrei pra uma equipe de futebol amador, naquela época não existia futebol profissional feminino em Brasília. Tive a oportunidade de me profissionalizar, iria realizar meu sonho, mas minha mãe não me deixou viajar e toda frustração se transformou em um amor inexplicável que tenho pelo meu time, ao qual sou treinadora hoje.

Comecei o curso de Educação Física e não consegui terminar, sou árbitra formada tanto de campo quanto de futsal. Fui professora de Educação Física em algumas escolas, mas nem uma dessas atividades me encantou como a de treinadora.

A escolinha conta com ajuda do poder público?

Nunca contei com a ajuda de ninguém, nem publica e nem privada. Nem pra transporte dos jogadores consegui. Depois de muito me humilhar pedido ajuda de canto a canto desta cidade resolvi eu mesma bancar o projeto. Porém tive uma grande perda financeira no trabalho, e para não abandonar meus meninos gastei tudo o que tinha, até meu carro eu vendi. Hoje não estou tendo nem como me sustentar.

Conte sobre o seu trabalho na direção deste projeto.

É meio complicado esta questão. Eu sou roupeira, diretora, presidente, treinadora e mãe dos garotos. Eu que sempre fiz tudo pelo time. Não sei o que é ser diretora do projeto. Tomo todas as decisões, arco com todas as despesas. Sofro todas as consequências de não ter um grupo para atribuir funções. Infelizmente, o projeto não é registrado. Várias pessoas propuseram ajudar, mas nenhuma sem segundas intenções.

Quantos títulos a Escolinha de Futsal Raça já conquistou?

Campeões Invictos Copa Relâmpago Valparaíso sub 15
Campeões campeonato municipal Ocidental sub 15
Campeões invictos do campeonato municipal Valparaíso sub 15
Campeões Invictos Brasília Open sub 15.
Vice – Campeão Brasília Open Sub 17.
Vice – Campeão Torneio Arimatéa sub 15.
Estes são os mais importantes, todos conquistados este ano de 2016.

Qual a sua expectativa para o ano de 2017?

Infelizmente, minha expectativa será acabar com o projeto se não conseguimos recursos. Minha pretensão seria federar o time e disputar o Brasiliense de Futsal. Mas na situação em que nos encontramos, se não conseguimos um patrocinador terei que abandonar este projeto.

Deixe uma mensagem final para os leitores do Alô Valparaíso.

Eu acredito que trabalho social é de responsabilidade de todos. Se cada um ajudar com um pouco este pouco se torna muito. As pessoas reclamam que a marginalidade só aumenta no nosso município, mas a cada criança que eu tiro da rua, este terá grandes chances de se tornar uma pessoa do bem, um a menos na rua fazendo o que não deve. Essa responsabilidade e de todos.

Da Redação