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Anjos sem vida: Segundo IPEA 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes 

São mais de três crianças ou adolescentes  abusadas sexualmente no Brasil a cada hora. Ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil.

Segundo IPEA 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. São mais de três crianças ou adolescentes  abusadas sexualmente no Brasil a cada hora. Ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil.

De acordo com levantamento feito pela IPEA em 2011 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes. Em metade das ocorrências envolvendo menores, há um histórico de estupros anteriores. Além disso, a proporção de ocorrências com mais de um agressor é maior quando a vítima é adolescente e menor quando ela é criança. Cerca de 15% dos estupros registrados no sistema do Ministério da Saúde envolveram dois ou mais agressores.

O Brasil registrou ao menos 32 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes em 2018, o maior índice de notificações já registrado pelo Ministério da Saúde, segundo levantamento obtido pelo GLOBO. O índice equivale a mais de três casos por hora – quase duas vezes o que foi registrado em 2011, ano em que agentes de saúde passaram a ter a obrigação de computar os atendimentos. De lá para cá, os números crescem ano a ano, e somam um total de 177,3 mil notificações em todo o país. Goiás registrou 5,4 casos de estupro de vulneráveis de janeiro a junho de 2019.

A maioria das vítimas (53,8%) são meninas de até 13 anos. Conforme a estatística, apurada em microdados das secretarias de Segurança Pública de todos os estados e do Distrito Federal, quatro meninas até essa idade são estupradas por hora no país. Ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil, 4,1% acima do verificado em 2017 pelo anuário.

 A psicóloga Jéssica Gomes que é especialista em traumas afirma que a realidade de muitas crianças, infelizmente, é de crueldade e maus tratos dentro da própria casa. Os dados apontam que neste período de quarentena muitas pessoas vêm sofrendo ainda mais. “As crianças e adolescentes são portadores de direitos fundamentais, que asseguram inclusive o direito de não sofrer abuso e exploração sexual. No entanto, continuam a ver os seus direitos violados. Com a quarentena, o número de abusos é gigantesco. O abuso sexual, assim como, a violência física e psicológica infantil está aumentando muito neste período para combate a COVID-19 (em alguns municípios mais de 50%), sendo que, 90% dos agressores são familiares”

O que é considerado violência sexual?

Segundo a especialista qualquer tipo de ato com finalidade sexual praticado sem o consentimento contra adultos e até com consentimento contra adolescentes e crianças é considerado como violência sexual. Esse abuso pode acontecer de diversas maneiras, podendo ser verbal, visual ou físico. Ou seja, são atos que agridem a pessoa não só fisicamente, mas psicologicamente e sensorialmente.

São casos de violência sexual atos como:

  • Conversas sexuais
  • Mostrar pornografia
  • Exibicionismo (Adulto exibir o órgão genital para outra pessoa)
  • Assistir uma pessoa se despir ou tomar banho contra sua vontade
  • Ato sexual em si
  • Contato físico que envolve toques masturbação e penetração 

Jessica aconselha a todo pai, mãe ou responsável por aquela criança mostrar que seu corpo é sua propriedade e que se alguém estiver violando que procure ajuda. “Os pais, responsáveis e professores devem orientar as crianças sobre os perigos, conscientizando sobre os limites e a diferença entre um carinho e o gesto abusivo. É prudente também evitar o hábito de ensinar a criança a beijar pessoas fora do núcleo familiar; dar o nome correto para cada parte do corpo, ensinar a criança a identificar as partes íntimas. Os pais e o estado deveriam ensinar para suas crianças que o corpo deles não pode ser violado e se alguém tentar eles devem procurar o adulto mais confiável para relatar”. 

 A psicóloga finaliza com o alerta que os familiares precisam identificar o abuso que, muitas vezes, são aparentes e perceptíveis como: mudança de comportamento; por meios de desenhos; comportamento extremamente infantil; problemas escolares; violência física; doenças sexualmente transmissíveis ou gravidez.

Redação Alô Valparaíso/