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A arte existe para que a realidade não nos destrua

Artista independente, rapper, poeta, letrista, transformista, grafiteiro e produtor, Mano Dáblio trás um novo olhar para o rapper e para a luta diária dos artistas do DF

William de Souza, 35 anos, mais conhecido como Mano Dáblio, é um artista independente, rapper, poeta, letrista, transformista, grafiteiro e produtor. É idealizador dos projetos Surdo Cinema (capacitação em cinema para pessoas surdas e mostra dos filmes produzidos) e do projeto Cypher Imaterial e Sarau Imaterial (música e videoclipe realizado com diversos artistas do DF e Entorno e o Sarau de lançamento). O rapper entra para o rol dos vencedores do PPM – Prêmio Profissionais da Música, evento cuja VI edição terminou no dia 07/11 em Brasília.

Há um mês foi lançado o novo videoclipe do artista em Libras, com a música “Vai Lá”. Com direção de Leandro Lestad, contou com a parceria do ator Surdo, Diego Silva, que faz a interpretação em Libras. A música fala da importância de influenciar os espaços com sua arte (poesia), sem medo de ser protagonista da sua história.

No sábado, dia 20, o artista estará em produção para fechar a décima produção em Libras, com o videoclipe da música “Reexistir”. Quem assina o figurino da produção é a estilista Fernanda Ferrugem. “O trabalho fala da importância de resistir e reexistir por mais difícil que seja as adversidades da vida”. Afirma o artista.

“A arte salva, cura, ajuda, transforma, informa, conta nossa história, passa a visão. A arte é o milagre da multiplicação, sou testemunho de que isso é real. Não escolhi, fui escolhido”. Afirma o artista Fotos: Heloisa Bolgue

A projeção é de que em 2022 venha um novo álbum e que o projeto Imaterial tenha novas edições seguindo a proposta do uso da Libras não apenas como proposta de acessibilidade, mas como parte da criação artística. Proposta essa, que o artista busca manter nas obras. O Imaterial convida artistas, mulheres, LGBTQIA+ e de periferia para usarem sua poesia e rap dizer o que precisa ser dito no objetivo de o pensar nossa realidade, o sistema, sustentabilidade, protagonismo, equidade, racismos, machismo e o poder da arte de imortalizar nossas histórias e nos mantendo vivos. 

Além disso, Mano Dáblio iniciou projeto em parceria com Silvaju (cantora, artista plástica e estilista) e João Gollo (músico e cineasta), os três formam a banda TRANÇA, que no dia 29/10 lançaram no youtube e em nas principais plataformas digitais a música COMETA. A banda segue na produção de um EP que estará disponível no início de 2022.

Cometa link: https://www.youtube.com/watch?v=LmF4d0EWu1U


O artista completo já fez cursos de música no início da atuação, porém sua maior bagagem e aprendizado foram as vivências no cenário cultural periférico, nas ruas. “A rua foi minha maior faculdade, aprendi tanto quanto em qualquer instituição de ensino que passei”. Comenta orgulhosamente Mano Dáblio.

 Caminhos percorridos                                                                                       

Quando tinha 8 anos sua mãe o deixou no Guará para  morar em um orfanato por decisão da justiça. De lá foi levado para uma fazenda onde morou 10 anos. No ano 2000, quando  tinha 14 anos, fez seu  primeiro show no evento que criaram dentro do Orfanato. Desde então não parou.

Buscou muitos caminhos para seguir com a arte até então. Quando saiu da fazenda foi procurar sua família e a relação não foi boa, e voltou para  as ruas,  no Guará recebeu  apoio de amigos. Lá começou a estruturar uma rede de apoio, isso foi em 2004/ 2005. Procurou por rádios, produtores, inclusive fora do DF, mas não conseguiram concluir nada. “Em 2017 retomei o diálogo com um amigo, Bruno Formiga. Ele aceitou o desafio de iniciarmos minha primeira produção. Hoje já são mais de 30 obras nas plataformas, entre álbuns, acústico, projeto e singles”. Conta entusiasmado 

E completa “passei e passo dificuldades, faz parte da vida, mas já foi pior. Quem escutar as letras, vai entender, muitas vezes até se ver.  Não ter onde ficar, comer, ser tratado como lixo em meio a tanta violência que nos assola é bem complicado. Existem espaços onde a violência é banalizada e se você cai lá talvez seja engolida por ela, quase fui, mas o rap me salvou. A cultura hip hop, a música, a poesia e arte me salvaram, por isso sou um milagre. Eu acredito em milagres. Quem é oriundo da periferia sabe que a estrutura é formada pra te derrubar e deixar você sem força, logo precisamos resistir e reexistir”.    

“A arte salva, cura, ajuda, transforma, informa, conta nossa história, passa a visão. A arte é o milagre da multiplicação, sou testemunho de que isso é real. Não escolhi, fui escolhido”. Finaliza o artista

Além do PPM, Mano Dáblio coleciona os prêmios Estúdio Social, em 1º Lugar; e Palco Live, também em 1° Lugar, ambos neste ano de 2021. Em 2020, levou o Gran Circular – Aldir Blanc e o Estúdio Social, tendo ficado em 3º Lugar.

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Alô Valparaíso/Com as informações G1