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Ação Cidadã comandada por Lêda Borges levou serviços públicos de forma inédita aos kalungas

A Secretaria da Mulher, Desenvolvimento Social, Igualdade Racial, Direitos Humanos e do Trabalho (Secretaria Cidadã) realizou no último fim de semana (13 e 14) um atendimento inédito para uma comunidade kalunga em Cavalcante. Pela primeira vez na centenária história do vilarejo de Vão de Almas, a 70 km de Cavalcante, o programa Ação Cidadã levou vários serviços de promoção da cidadania à comunidade negra da região.

A Secretaria Cidadã aproveitou a grande festa religiosa da Romaria do Vão de Almas, maior encontro da comunidade quilombola kalunga de Goiás, para realização o Ação Cidadã. Na oportunidade, a secretária Lêda Borges representou o governador Marconi Perillo e anunciou a entrega de benefícios e a continuidade de obras de infraestrutura na região. A festa de louvor a Nossa Senhora da Abadia, padroeira da comunidade, terminou nesta terça-feira (16).

“Ninguém melhor do que vocês para saber o que nada é fácil. É com esse espírito de luta e perseverança que chegamos aqui para trazer benefícios e serviços básicos de promoção da cidadania”, discursou a secretária Lêda Borges à comunidade na abertura dos trabalhos dos mais de 20 serviços levados à vila kalunga.

No dia anterior, a Celg instalou os primeiros postes de iluminação do lugar, que reúne cerca de 380 famílias numa região de vasta vegetação de cerrado bem preservada. Na mesma solenidade, a Secretaria de Saúde entregou à comunidade 12 motocicletas para o trabalho dos agentes de saúde que atuam na região, cujas estradas íngremes de chão dificultam o tráfego de automóveis que não tenham tração nas rodas.

No sábado (13) e domingo (14), o programa Ação Cidadã ofereceu à comunidade serviços básicos, como emissão de documentos (RG, CPF, Certidão de Nascimento), processo de reconhecimento de paternidade (programa Pai Presente), orientação médica, vacinação, oficina de primeiros socorros com equipe de Bombeiros da PM, oficinas de arte, oficina de beleza negra (apliques e turbantes), palestras sobre violência contra a mulher, igualdade racial e empreendedorismo (Empreender no Campo, pelo Sebrae), recreação infantil e doação de cobertores, distribuição de brinquedos dentre vários outros serviços.

No primeiro dia, as crianças kalungas também foram contempladas com doação de brinquedos e espaço para brincadeiras com pula-pula e piscina futebol de sabão. Ainda na solenidade de abertura, as mulheres deram uma aula de beleza com um desfile mostrando a moda e a elegância da mulher negra. O evento de abertura, na manhã do sábado (13), foi encerrado com uma bela apresentação de sussa, canto e dança típicos da cultura kalunga, feita por crianças sob a coordenação de Vanderlea dos Santos, professora e secretária municipal da Igualdade Racial e da Mulher de Cavalcante.

O Ação Cidadã é o programa itinerante do Governo de Goiás, executado pela Secretaria Cidadã, que leva serviços públicos a cidades e comunidades distantes dos grandes centros. Para isso, a secretaria conta com apoio de órgãos e entidades, como a Secretaria de Segurança Pública, Secretaria de Cidades e Meio Ambiente (Secima), Defensoria Pública; o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); Agência de Fomento, Detran, Tribunal de Justiça, Corregedoria Geral de Justiça, Polícia Civil, Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego), prefeituras e Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), entre outros.  

Nessa época do ano, por meio da religiosidade, as comunidades kalungas reforçam sua historia e identidade cultural marcada pela resistência. Um grupo de mulheres se reúne para confeccionar os enfeites da Festa do Imperador do Divino Espírito Santo e do Reinado de Nossa Senhora da Abadia. A festa se dá em rodízio na comunidade, cada  dia num rancho diferente. À noite, é realizada uma procissão acompanhada do toque de tambores até a casa do festeiro para entrega dos enfeites. A partir daí, a celebração segue pelas.

Além da religiosidade expressa nas missas, caminhadas e folias, também são realizadas cerimônias de batizados e casamentos. Os kalungas escolhem um “imperador”, que passa a ser o comandante da festa. “Há uma cerimônia de coroação do império, onde o imperador kalunga recebe uma coroa”, explica Marta Ivone, superintendente de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Cidadã, sobre um dos pontos altos das celebrações religiosas, realizado na tarde da última segunda-feira (15).

Este ano, o casal coroado foi Maria Helena e Aleci Fernandes de Castro. A festa reúne descendentes das comunidades quilombolas de toda a região da Chapada dos Veadeiros, presentes, além de Cavalcante, nas cidades de Teresina e Monte Alegre.

Equipes da Secretaria Cidadã participaram de atividades com as crianças, oficinas lúdicas de desenho, teatro, oficina da beleza negra, rodas de conversa sobre os direitos das mulheres, autoestima, sustentabilidade da família para geração de renda, dentre outras ações. A Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) é um dos órgãos parceiros e fez a doação de alimentos e kits de enxovais para gestantes.

História de resistência

O sitio natural e histórico kalunga é uma das maiores riquezas culturais de Cavalcante e região. Segundo historiadores, as minas de ouro da região possuíam cerca de nove mil escravos. Os negros fugitivos do Arraial de Cavalcante se esconderam nos vãos de serra do Rio Paranã, com clima e topografia apropriados como esconderijo a este povo que ali tem sobrevivido por séculos, formando um verdadeiro território africano.

O território kalunga se estende também para os municípios de Monte Alegre e Teresina, mas 60% pertence a Cavalcante. O Brasil possui mais de 2.400 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares, espalhadas em 24 estados (33 dessas comunidades certificadas estão em Goiás, 20 delas na região da Chapada dos Veadeiros).

Goiás possui o maior quilombo em extensão territorial do Brasil, uma área com mais de 250 mil hectares de cerrado. Somadas, as comunidades quilombolas reúnem uma população de cerca de seis mil habitantes. Kalunga é o nome de uma árvore do cerrado com poderes de cura. A palavra nomeia também um córrego no Vão do Paranã. Na língua banto, Kalunga significa lugar sagrado.

Postado por Marcelo Carlos (com as informações da Secretaria Cidadã)

 

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